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sábado, 15 de setembro de 2012

PATOLOGIA AUTOIMUNE DA TIRÓIDE – UM CASO ESPORÁDICO

Dra Catarina Sebe

Introdução:
A doença autoimune da tiróide é um distúrbio imunológico com consequente agressão da glândula tiroideia. Tem maior prevalência no sexo feminino e aumento da incidência com a idade. Uma percentagem da população possui anticorpos contra os antigénios tiroideus, a maioria com função glandular normal. Dada a maior prevalência nas sociedades ocidentais, torna-se imprescindível o diagnóstico, o tratamento e o seguimento adequados destes doentes.
Descrição de caso:
Doente do sexo feminino, 55 anos, caucasiana, natural e residente em Aveiro, inserida numa família nuclear Duvall VI, classe média-alta com disfunção moderada. Sem antecedentes pessoais relevantes. Recorreu à consulta em fevereiro de 2008 por irritabilidade, palpitações e perda de peso com um mês de evolução. Objetivamente, à palpação cervical detetou-se área nodular, mole e móvel à deglutição na região lateral direita. Solicitadas análises e ecografia da tiróide. Constatou-se diminuição do nível de hormona tiroestimulante (TSH) (0,01µU/ ml) e elevação ligeira da tiroxina livre (T4L) (2,08ng/dl) e mais acentuada da triiodotironina livre (T3L) (7,74pg/ml), em relação ao intervalo de valores considerados normais. A ecografia revelou alterações sugestivas de “tiroidite”. Perante estes resultados foram pedidos novo estudo da função tiroideia e anticorpos antitiroideus. Mantinha valores compatíveis com hipertiroidismo e apresentava elevação dos anticorpos antitiroperoxidase (AATPO) (680UI/ml) e antitiroglobulina (AATG) (140UI/ml). O quadro sugeria hipertiroidismo autoimune, pelo que foi referenciada à consulta de endocrinologia, em março de 2008. Foi medicada com tiamazol pelo endocrinologista, que o suspendeu um ano depois por se apresentar assintomática e com controlo analítico com TSH elevada (6,88µU/ml) e níveis ligeiramente baixos de T4L (0,74ng/ dl). Decorridos três meses, repetiu análises que mostraram função tiroideia normal, passando a ser seguida exclusivamente pela sua médica de família. Em abril de 2012, permanecia com função tiroideia normal e sem alterações ecográficas, apesar da elevação de AATPO (742UI/ml), mantendo-se vigilância clínica e laboratorial.
Discussão:
A avaliação periódica da função tiroideia, no contexto da tiroidite autoimune, foi crucial para o diagnóstico e orientação da doente, pois permitiu verificar uma evolução trifásica da doença ao longo dos anos. Este seguimento é fundamental pois alguns casos podem evoluir para hipotiroidismo crónico.

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