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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Artrite Idiopática Juvenil



Justificação: A Artrite Idiopática Juvenil (AIJ) é a doença reumática mais comum nas crianças. O objetivo deste trabalho  é rever a clinica, o diagnóstico e sua abordagem nos Cuidados de Saúde Primários (CSP).
 Metodologia: Pesquisa nas bases de dados UptoDate e PubMed; consulta de livros de texto, utilizando o termo  Mesh “Juvenile Idiopathic Arthritis”.
Resultados: A AIJ é classificada de acordo com 7 subtipos, tendo em conta a clinica e os exames complementares de diagnóstico. Clinicamente esta, manifesta-se por tumefação articular e/ou diminuição das amplitudes articulares, rigidez matinal e/ou rubor articular. A artralgia nem sempre está presente. O diagnóstico exige a presença de artrite com mais de 6 semanas de duração, de causa desconhecida, com inicio antes dos 16 anos de idade. As complicações mais comum são: uveíte; alterações no crescimento; deformidade articular com compromisso da amplitude; osteopenia e osteoporose.
Nos CSP devemos de fazer uma avaliação sumária: Hemograma completo; VS; PCR doseada; função renal e hepática; ANA’s; Factor Reumatóide e radiografias simples das articulações acometidas.
Conclusão: Perante uma criança ou adolescente com tumefação articular ou claudicação da marcha ou postura de defesa articular, sem factor desencadeante aparente, devemos colocar sempre como hipótese de diagnóstico a AIJ e, após uma avaliação sumária englobando marcadores inflamatórios, devemos referenciar à consulta de Reumatologia Pediátrica uma vez que o diagnóstico e tratamentos precoces evitarão a evolução da doença, muitas vezes complicada de deformidades articulares e limitações irreversíveis. A criança/adolescente deve de ser medicada com AINE’s enquanto aguarda pela consulta.

Caso Clinico: Hipertensão secundária

Autores: Svetlana Golicov1,2 (svetlana.golicov@gmail.com), Teresa Borralho2
1USCP Águeda V, Extensão Borralha
2Centro Hospitalar Baixo Vouga, E.P.E., Aveiro.
Os autores apresentam o caso clinico de um doente do sexo masculino com 25 anos, enviado para Consulta Externa de Hipertensão e fatores de risco por apresentar hipertensão grave com retinopatia hipertensiva, com proteinuria subnefrótica, insuficiência renal e com história familiar de Hipertensão (HTA) e patologia renal. Fez biopsia renal que revelou glomerulosclerose segmentar e focal. Por decisão do nefrologista não fez terapêutica imunossupressora por o doente já apresentar lesões renais graves, secundárias à hipertensão e foi instituída terapêutica dirigida ao controlo da tensão arterial e outros fatores de risco vascular. O doente apesar de ter mantido a tensão arterial controlada com a medicação, evoluiu para insuficiência renal terminal ao fim de sete anos e encontra-se a fazer dialise peritoneal.
A Glomerulosclerose segmentar focal (GESF) é uma doença caracterizada por fibrose de parte do glomérulo. É responsável por 15 a 20% das síndromes nefróticas idiopáticas dos adultos, podendo ser secundária a outra patologia ou primária. Os doentes geralmente apresentam-se com proteinuria severa assintomática. Em 30 a 50% dos doentes existe hipertensão arterial e metade dos pacientes possuem hematúria microscópica. A evolução da GESF não tratada consiste em proteinúria e perda da função renal progressivamente. Em 5 a 20 anos a maioria dos pacientes desenvolve insuficiência renal cronica terminal.
Conclusão: Este caso alerta-nos para importância da medição da TA em idades jovens. Neste caso ainda mais importante, devido aos antecedentes familiares de HTA e patologia renal. O doente poderia ter tido outra evolução, se se tivesse detetado a TA numa fase precoce, e tivesse sido detetada a patologia renal, com vista a terapêutica dirigida antes de ter lesões graves dos órgãos alvo secundárias à HTA.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Dermatoses na Grávida



Inês Figueiredo
 

As dermatoses específicas da gravidez representam um grupo heterogéneo de doenças inflamatórias da pele relacionadas com a gravidez e/ou o período pós-parto. A mais recente classificação inclui Penfigóide Gestacional, PUPP, Psoríase pustulosa da gravidez, Colestase Intrahepática da gravidez, e Erupção atópica da gravidez. Uma característica comum a todas elas é o prurido intenso que é acompanhado por alterações cutâneas características. Embora algumas dessas dermatoses sejam angustiantes para a mãe devido a prurido, outras podem estar associadas a significativos riscos fetais. Um diagnóstico correto e tratamento imediato são essenciais. Nesta revisão, discutiremos as dermatoses da gravidez e apresentarei um Algoritmo para diagnóstico e gestão do prurido na gravidez.

“DOUTORA, DE TANTO BATER O MEU CORAÇÃO AINDA PÁRA!”


Isabel Teixeira
UCSP Ílhavo II

As extrassístoles ventriculares são arritmias comuns que apresentam diferentes manifestações clínicas e prognóstico, encontrando-se directamente relacionadas com o grau de doença miocárdica de base. Porém, podem ocorrer em pessoas sem patologia cardíaca ou apresentar-se num contexto familiar. A incidência de extrassístoles em indivíduos assintomáticos em exames de Holter varia de 32 a 80% - devido à grande heterogeneidade dos sintomas e das situações clínicas relacionadas, a orientação destas arritmias pode revelar-se, por vezes, um problema complexo.
Jovem de 21 anos, sexo feminino, sem antecedentes cardiovasculares, recorre ao Médico de Família (MF) apresentando queixas de tonturas, palpitações ocasionais, mal-estar e cansaço para pequenos esforços. Realizados exames complementares (ECG, Prova de Esforço, Holter e Ecocardiograma) que evidenciaram extrassistolia ventricular em bigeminismo muito frequente, com ausência da disrritmia ventricular em esforço e de alterações morfológicas. Subsequentemente avaliada em consulta de Telemedicina foi referenciada para a Consulta de Cardiologia do CHBV - Aveiro. Nesta, concluiu-se que, apesar das alterações descritas, as extrassístoles apresentavam carácter monofocal e benigno, sem indicação para medicação ou estudo electrofisológico, tendo retomado a sua actividade laboral. Posteriormente, em consulta com o MF, a utente demonstrava um estado de grande ansiedade, que associava ao receio de novos episódios de taquicardia, tendo sido medicada com benzodiazepina (em crise). Acompanhada, desde então, em consulta de Cardiologia, tendo-lhe sido prescrito bisoprolol, com melhoria sintomática significativa.
O presente caso clínico pretende demonstrar a importância da consulta de Telemedicina nos Cuidados de Saúde Primários, constituindo uma ligação rápida e eficaz entre estes e o Hospital de referência, possibilitando a orientação, em tempo útil, dos doentes com patologia cardíaca, bem como o papel fundamental do Médico de Família na avaliação global do seu doente, mesmo perante um quadro clínico aparentemente sem gravidade.