Inês Leite da Silva;
Isabel Teixeira; Joana Bordalo; Joana Sequeira
Introdução
A UCF de
saúde materna e neonatal criou o atual protocolo de vigilância pré-natal
partilhada entre os cuidados primários e os secundários de saúde. Este
protocolo que está em vigor desde 2011, pressupõem a articulação e cooperação entre
médicos e serviços optimizando cuidados assistenciais à grávida com o objetivo
de obtermos a diminuição da morbi-mortalidade neo-natal. Esta comunicação entre
profissionais deve ser feita, nomeadamente através do preenchimento correto do
Boletim de Saúde da Grávida (BSG), transformando-o no documento pessoal da
grávida e veículo de toda a informação clínica. Os objetivos deste trabalho
foram avaliar a existência de falhas e seus padrões de repetição, relativamente
ao cumprimento do protocolo da UCF de Saúde Materna e avaliar o preenchimento
do BSG, daquelas referenciadas para a consulta de obstetrícia do CHBV. Trata-se
de um estudo observacional, transversal e descritivo, realizado entre Março e
Abril de 2012. A amostra foi de conveniência que incluiu grávidas referenciadas
à consulta de obstetrícia do CHBV ao abrigo deste protocolo de vigilância,
tendo sido excluídas as gravidezes de risco.
O protocolo foi cumprido em 53% das consultas. As
principais falhas na consulta das 24semanas foram a ausência do registo das
serologia do HCV, do CMV e a PTGO realizada precocemente. Na consulta das 40
semanas as principais falhas foram a ausência de registo do rastreio do Streptococcus agalactiae e das serologia
para CMV. Relativamente aos registos no BSG, a maioria dos parâmetros estavam preenchidos,
apesar do registo da Imunoglobulina anti-D estar em 53% registado de forma
inadequada.
Apesar de serem resultados satisfatórios
torna-se, ainda, necessário sugerir soluções nas situações de
incumprimento de forma a ajustar a
metodologia do protocolo tornando-o mais fácil e eficaz a sua execução. Algumas
sugestões passam por alterar os perfis
de rotinas da gravidez no programa informático (SAM), criar um programa informático partilhado entre profissionais, incluir no BSG o registo das análises
pré-concecionais, sensibilizar a equipa de enfermagem para o correto
preenchimento do BSG e envolver mais a grávida neste projeto. Não menos
importante, será a auscultação da comunidade médica relativamente à importância
deste protocolo, assim como medir o seu impacto nos cuidados e prevenção de complicações
pré e peri-natal, ao fim de 1 ano de existência.