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terça-feira, 5 de junho de 2012

Como vigiamos as nossas grávidas? – Avaliação da vigilância partilhada


Inês Leite da Silva; Isabel Teixeira; Joana Bordalo; Joana Sequeira

Introdução
A UCF de saúde materna e neonatal criou o atual protocolo de vigilância pré-natal partilhada entre os cuidados primários e os secundários de saúde. Este protocolo que está em vigor desde 2011, pressupõem a articulação e cooperação entre médicos e serviços optimizando cuidados assistenciais à grávida com o objetivo de obtermos a diminuição da morbi-mortalidade neo-natal. Esta comunicação entre profissionais deve ser feita, nomeadamente através do preenchimento correto do Boletim de Saúde da Grávida (BSG), transformando-o no documento pessoal da grávida e veículo de toda a informação clínica. Os objetivos deste trabalho foram avaliar a existência de falhas e seus padrões de repetição, relativamente ao cumprimento do protocolo da UCF de Saúde Materna e avaliar o preenchimento do BSG, daquelas referenciadas para a consulta de obstetrícia do CHBV. Trata-se de um estudo observacional, transversal e descritivo, realizado entre Março e Abril de 2012. A amostra foi de conveniência que incluiu grávidas referenciadas à consulta de obstetrícia do CHBV ao abrigo deste protocolo de vigilância, tendo sido excluídas as gravidezes de risco.
O protocolo foi cumprido em 53% das consultas. As principais falhas na consulta das 24semanas foram a ausência do registo das serologia do HCV, do CMV e a PTGO realizada precocemente. Na consulta das 40 semanas as principais falhas foram a ausência de registo do rastreio do Streptococcus agalactiae e das serologia para CMV. Relativamente aos registos no BSG, a maioria dos parâmetros estavam preenchidos, apesar do registo da Imunoglobulina anti-D estar em 53% registado de forma inadequada.
Apesar de serem resultados satisfatórios torna-se, ainda, necessário sugerir soluções nas situações de incumprimento  de forma a ajustar a metodologia do protocolo tornando-o mais fácil e eficaz a sua execução. Algumas sugestões passam por alterar os perfis de rotinas da gravidez no programa informático (SAM), criar um programa informático partilhado entre profissionais, incluir no BSG o registo das análises pré-concecionais, sensibilizar a equipa de enfermagem para o correto preenchimento do BSG e envolver mais a grávida neste projeto. Não menos importante, será a auscultação da comunidade médica relativamente à importância deste protocolo, assim como medir o seu impacto nos cuidados e prevenção de complicações pré e peri-natal, ao fim de 1 ano de existência.

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