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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Aplicação para iPhone e iPad: Calculadora de dose de estatina em função do objectivo de C-LDL

Eurico Silva


Enquadramento
As estatinas são a classe farmacológica de eleição no tratamento da maioria das dislipidémias. Existem 7 fármacos desta classe disponíveis em Portugal com características próprias, nomeadamente na capacidade de redução do colesterol LDL. A potência relativa de cada estatina, apesar da grande variabilidade interpessoal, é conhecida pelo que é possível ao selecionar uma estatina prever qual a dose necessária para alcançar o objectivo terapêutico de C-LDL pretendido.
Esta aplicação informática agiliza este processo ao clínico, garantindo com apenas 3 passos a escolha de um fármaco para o objectivo C-LDL desejado.

Descrição do Caso
A calculadora permite com a introdução do C-LDL (ou do seu cálculo através da fórmula de Friedewald) e a definição de um objectivo terapêutico determinar a redução necessária de C-LDL, mostrando em forma de tabela as doses das diferentes estatinas capazes de o fazer.
Para determinar o objectivo terapêutico pode-se recorrer aos níveis de risco cardiovascular global definidos nas European Society of Cardiology (ESC) e European Atherosclerosis Society (EAS) Guidelines for the management of dyslipidaemias (2011) e ao cálculo do SCORE.
Posiciona o doente na tabela de ?Intervenção integrada em função valor de C-LDL e risco cardiovascular global? apresentando o melhor tipo de intervenção: mudança do estilo de vida e/ou intervenção farmacológica imediata ou protelada.

Discussão
Esta aplicação auxilia na escolha da melhor dose fármaco em função do objectivo terapêutico, tornando mais precisa a prescrição das estatinas.
As funcionalidades da aplicação facilitam, com poucos passos, a operacionalização das ESC/EAS Guidelines for the management of dyslipidaemias.

Tuberculose Hepática: a Propósito de um Caso Clínico


Yolanda Oliveira1, Carla Bastos1, Inês Leite da Silva1, Eduardo Oliveira2, Pires Geraldo2, Jorge Velez3, Filomena Freitas3, Célia Oliveira3
1USF Santa Joana, ACeS Baixo Vouga II, 2Serviço de Medicina Interna do Hospital Infante D. Pedro, 3Serviço de Infecciologia do Hospital Infante D. Pedro

Enquadramento
A tuberculose é a doença infecciosa mais letal a nível mundial, sendo o diagnóstico precoce o primeiro passo na redução da mortalidade. O relativo declínio da sua incidência em Portugal na última década e a apresentação muitas vezes paucissintomática, implicam um elevado nível de suspeição para o seu diagnóstico rápido e acertado.

Descrição do caso
Mulher de 64 anos, casada, pertencente a família Nuclear, com antecedentes de pericardite em 2004 e pneumonia à direita em 2007, recorre ao médico de família (MF) em Dezembro 2008 por quadro intermitente de temperatura subfebril nocturna e ocasional tosse e toracalgia direita que se arrastou por vários meses. Foram realizados exames complementares de diagnóstico (ECD), salientando-se VS de 62 mm/1ªh, prova de Mantoux de 26mm e rx torácico com focos de densificação macular no andar superior direito compatíveis com lesões residuais ou, eventualmente, tuberculose. Foi contactado o Serviço de Infecciologia que aconselhou continuação do estudo ambulatório para esclarecimento etiológico. Perante o quadro e após exclusão de TP activa, foi prescrita antibioterapia empírica havendo melhoria clínica e analítica.
Após cerca de um ano assintomática, a utente recorre novamente ao MF por quadro intermitente de temperaturas subfebris e tosse produtiva. Foi solicitado estudo complementar que mostrou, além de aumento da VS (68mm/1ªh) e prova de Mantoux de 36mm, imagens nodulares hepáticas inespecíficas, não se excluindo a hipótese de metástases. O MF contactou novamente a Infecciologia que recomendou exclusão de neoplasia oculta, sendo o estudo negativo. Assim, a utente foi encaminhada para realização de biópsia hepática guiada a nível hospitalar, cujo estudo anatomopatológico foi altamente sugestivo de tuberculose. Foram então iniciados antituberculosos verificando-se, após seguimento de cerca de 8 meses, normalização clínica, analítica e imagiológica.

Discussão
Além de rara, a tuberculose hepática é uma entidade habitualmente associada a doença miliar, estando o diagnóstico dificultado nos quadros em que surge isoladamente, como este caso reporta. Deste modo, o MF como centralizador de cuidados e uma comunicação eficaz com os cuidados de saúde secundários, foram determinantes para a correcta avaliação e orientação desta utente.

sábado, 15 de setembro de 2012

PATOLOGIA AUTOIMUNE DA TIRÓIDE – UM CASO ESPORÁDICO

Dra Catarina Sebe

Introdução:
A doença autoimune da tiróide é um distúrbio imunológico com consequente agressão da glândula tiroideia. Tem maior prevalência no sexo feminino e aumento da incidência com a idade. Uma percentagem da população possui anticorpos contra os antigénios tiroideus, a maioria com função glandular normal. Dada a maior prevalência nas sociedades ocidentais, torna-se imprescindível o diagnóstico, o tratamento e o seguimento adequados destes doentes.
Descrição de caso:
Doente do sexo feminino, 55 anos, caucasiana, natural e residente em Aveiro, inserida numa família nuclear Duvall VI, classe média-alta com disfunção moderada. Sem antecedentes pessoais relevantes. Recorreu à consulta em fevereiro de 2008 por irritabilidade, palpitações e perda de peso com um mês de evolução. Objetivamente, à palpação cervical detetou-se área nodular, mole e móvel à deglutição na região lateral direita. Solicitadas análises e ecografia da tiróide. Constatou-se diminuição do nível de hormona tiroestimulante (TSH) (0,01µU/ ml) e elevação ligeira da tiroxina livre (T4L) (2,08ng/dl) e mais acentuada da triiodotironina livre (T3L) (7,74pg/ml), em relação ao intervalo de valores considerados normais. A ecografia revelou alterações sugestivas de “tiroidite”. Perante estes resultados foram pedidos novo estudo da função tiroideia e anticorpos antitiroideus. Mantinha valores compatíveis com hipertiroidismo e apresentava elevação dos anticorpos antitiroperoxidase (AATPO) (680UI/ml) e antitiroglobulina (AATG) (140UI/ml). O quadro sugeria hipertiroidismo autoimune, pelo que foi referenciada à consulta de endocrinologia, em março de 2008. Foi medicada com tiamazol pelo endocrinologista, que o suspendeu um ano depois por se apresentar assintomática e com controlo analítico com TSH elevada (6,88µU/ml) e níveis ligeiramente baixos de T4L (0,74ng/ dl). Decorridos três meses, repetiu análises que mostraram função tiroideia normal, passando a ser seguida exclusivamente pela sua médica de família. Em abril de 2012, permanecia com função tiroideia normal e sem alterações ecográficas, apesar da elevação de AATPO (742UI/ml), mantendo-se vigilância clínica e laboratorial.
Discussão:
A avaliação periódica da função tiroideia, no contexto da tiroidite autoimune, foi crucial para o diagnóstico e orientação da doente, pois permitiu verificar uma evolução trifásica da doença ao longo dos anos. Este seguimento é fundamental pois alguns casos podem evoluir para hipotiroidismo crónico.

Avaliação da Capacidade Funcional dos Idosos de uma USF

Dra Carla Bastos

O envelhecimento da população exige estratégias efectivas de acompanhamento e prevenção que implicam o conhecimento da capacidade funcional dos idosos.
Avaliar a capacidade funcional dos idosos numa USF, pelas Escalas de Actividade de Vida Diária (AVD) de Katz e Actividades Instrumentais de Vida Diária (AIVD) de Lawton e Brody (LeB). Verificar associação entre dependência funcional e género, estado civil, escolaridade e coabitação.
Estudo transversal analítico, entre Setembro/2010 e Fevereiro/2011. Dos 990 idosos da USF seleccionaram-se aleatoriamente 297. Avaliaram-se, por inquérito, parâmetros sóciodemográficos e capacidade funcional pelas escalas referidas.
Participaram 228 idosos, média de idades 78 anos (±5.38); 56.6% mulheres; 58.3% casados; 67.1% com ≤ 4 anos de escolaridade; 47.8% coabitando com conjugue e um filho.
A prevalência de dependência foi 12.3% na escala de Katz, 48.7% na de LeB. Verificou-se associação entre ambas na distribuição dependentes/independentes.
Verificou-se que o grupo “dependentes” apresentava idade superior e escolaridade inferior, estatisticamente significativa.
Constatou-se associação entre risco de dependência e estado civil “não-casado” na escala de
Katz (OR 3.42 [IC95% 1.49-8.32]); cohabitação com filho (LeB: OR 5.62 [IC95% 2.29-15.58];
Katz: OR 3.62 [IC95% 1.41-8.93]) ou com outros familiares (LeB: OR 3.10 [IC95% 1.19-8.94];
Katz: OR 3.11 [IC95% 1.02-8.69]).
Verificou-se uma prevalência de dependência inferior à de outro estudo semelhante. A idade e menor escolaridade associam-se a risco de dependência. Associações menos espectáveis incluem estado civil “não casado” e cohabitação com filho e conjugue. Avaliar a dependência funcional e factores de risco auxilia-nos na prestação de cuidados dirigidos nesta população.

Higiene Íntima Feminina

Dra  Svetlana Golicov

O que é a higiene íntima? O conceito de higiene íntima não é claro, não é linear, levanta dúvidas e más interpretações, como seja confundir higiene de uma região íntima da mulher com a irrigação vaginal.
Quando falamos em higiene íntima queremos abordar a questão da utilização de produtos que não agridam os genitais externos, que contribuem para o bem-estar, conforto, segurança e saúde da mulher.
Em particular a região genital e as alterações que sofrem ao longo do ciclo e, mesmo ao longo da vida. Da puberdade até à menopausa.
Que alterações fisiológicas sofrem a vagina e vulva ao longo da vida (da puberdade até à menopausa)?
Quais mecanismos de defesa do trato genital feminino?
Quais são os produtos adequados para uma boa higiene íntima feminina?
Essas e outras questões são abordadas na apresentação “HIGIENE GENITAL FEMININA”