Autora: Cláudia Rainho
Resumo: Desde a
década de 90 verifica-se um aumento da incidência de diabetes mellitus tipo 2 (DM2)
em crianças e adolescentes, relacionada com o aumento da obesidade infantil. A
DM2 e suas co-morbilidades são fatores de risco para doença vascular no futuro.
Podem ocorrer sintomas associados à hiperglicemia como poliúria, polidipsia e
fadiga mas cerca de 40% dos doentes são assintomáticos ao diagnóstico. Os
adolescentes com fatores de risco devem realizar glicémia em jejum ou HbA1C. O
diagnóstico é baseado em: glicémia
em jejum ≥126 mg/dL; glicémia ocasional ≥200 mg/dL com sintomas; prova
de tolerância glicose oral ≥200
mg/dL após 2 horas ou Hb A1C ≥6.5%; devendo ser confirmado
na ausência de sintomas.
A abordagem
terapêutica tem como objetivos: manter o adolescente assintomático, controlar o
peso, controlar a glicémia, prevenir complicações agudas e crónicas da
hiperglicémia, controlar fatores de risco associados como HTA e dislipidémia, mantendo
um ritmo normal de crescimento e desenvolvimento. A abordagem terapêutica
inclui alterações de estilos de vida e terapêutica farmacológica. A modificação
de estilos de vida com alterações alimentares e aumento da atividade física
devem centrar-se no doente e na família. A modificação de estilos de
vida isolada tem-se revelado insuficiente no controlo glicémico destes doentes,
pelo que se recomenda associar inicialmente terapêutica farmacológica. Na
maioria dos doentes inicia-se metformina, contudo nos doentes com cetose ou
acidose, hiperglicemia grave (glicémia
≥250 mg/dL e/ou HbA1C>9%) ou
dúvida diagnóstica deve iniciar-se insulinoterapia. O controlo
glicémico tem como valores alvo HbA1C
< 7% e glicémia em jejum
< 130mg/dL. O IMC e a HbA1C devem ser medidos a cada 3 meses e a auto-monitorização
da glicémia capilar deve ser realizada quando existe um pobre controlo
glicémico ou se a terapêutica for alterada.