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sexta-feira, 2 de maio de 2014

Diabetes Mellitus tipo 2 na Criança e no adolescente


Autora: Cláudia Rainho

Resumo: Desde a década de 90 verifica-se um aumento da incidência de diabetes mellitus tipo 2 (DM2) em crianças e adolescentes, relacionada com o aumento da obesidade infantil. A DM2 e suas co-morbilidades são fatores de risco para doença vascular no futuro. Podem ocorrer sintomas associados à hiperglicemia como poliúria, polidipsia e fadiga mas cerca de 40% dos doentes são assintomáticos ao diagnóstico. Os adolescentes com fatores de risco devem realizar glicémia em jejum ou HbA1C. O diagnóstico é baseado em: glicémia em jejum 126 mg/dL; glicémia ocasional 200 mg/dL com sintomas; prova de tolerância glicose oral 200 mg/dL após 2 horas ou Hb A1C 6.5%; devendo ser confirmado na ausência de sintomas.
A abordagem terapêutica tem como objetivos: manter o adolescente assintomático, controlar o peso, controlar a glicémia, prevenir complicações agudas e crónicas da hiperglicémia, controlar fatores de risco associados como HTA e dislipidémia, mantendo um ritmo normal de crescimento e desenvolvimento. A abordagem terapêutica inclui alterações de estilos de vida e terapêutica farmacológica. A modificação de estilos de vida com alterações alimentares e aumento da atividade física devem centrar-se no doente e na família. A modificação de estilos de vida isolada tem-se revelado insuficiente no controlo glicémico destes doentes, pelo que se recomenda associar inicialmente terapêutica farmacológica. Na maioria dos doentes inicia-se metformina, contudo nos doentes com cetose ou acidose, hiperglicemia grave (glicémia 250 mg/dL e/ou HbA1C>9%) ou dúvida diagnóstica deve iniciar-se insulinoterapia. O controlo glicémico tem como valores alvo HbA1C < 7% e glicémia em jejum < 130mg/dL. O IMC e a HbA1C devem ser medidos a cada 3 meses e a auto-monitorização da glicémia capilar deve ser realizada quando existe um pobre controlo glicémico ou se a terapêutica for alterada.