Yolanda Oliveira1, Carla Bastos1, Inês
Leite da Silva1, Eduardo Oliveira2, Pires Geraldo2,
Jorge Velez3, Filomena Freitas3, Célia Oliveira3
1USF
Santa Joana, ACeS Baixo Vouga II, 2Serviço de Medicina Interna do Hospital
Infante D. Pedro, 3Serviço de Infecciologia do Hospital Infante D.
Pedro
Enquadramento
A tuberculose é
a doença infecciosa mais letal a nível mundial, sendo o diagnóstico precoce o
primeiro passo na redução da mortalidade. O relativo declínio da sua incidência
em Portugal na última década e a apresentação muitas vezes paucissintomática, implicam
um elevado nível de suspeição para o seu diagnóstico rápido e acertado.
Descrição do caso
Mulher de 64
anos, casada, pertencente a família Nuclear, com antecedentes de pericardite em
2004 e pneumonia à direita em 2007, recorre ao médico de família (MF) em Dezembro
2008 por quadro intermitente de temperatura subfebril nocturna e ocasional tosse
e toracalgia direita que se arrastou por
vários meses. Foram realizados exames
complementares de diagnóstico (ECD), salientando-se VS de 62 mm/1ªh, prova de
Mantoux de 26mm e rx torácico com focos de densificação macular no andar
superior direito compatíveis com lesões residuais ou, eventualmente, tuberculose.
Foi contactado o Serviço de Infecciologia que aconselhou continuação do estudo ambulatório
para esclarecimento etiológico. Perante o quadro e após exclusão de TP activa,
foi prescrita antibioterapia empírica havendo melhoria clínica e analítica.
Após cerca de
um ano assintomática, a utente recorre novamente
ao MF por quadro intermitente de temperaturas subfebris e tosse produtiva. Foi
solicitado estudo complementar que mostrou, além de aumento da VS (68mm/1ªh) e
prova de Mantoux de 36mm, imagens nodulares hepáticas inespecíficas, não se excluindo
a hipótese de metástases. O MF contactou novamente a Infecciologia que recomendou
exclusão de neoplasia oculta, sendo o estudo negativo. Assim, a utente foi
encaminhada para realização de biópsia hepática guiada a nível hospitalar, cujo
estudo anatomopatológico foi altamente sugestivo de tuberculose. Foram então
iniciados antituberculosos verificando-se, após seguimento de cerca de 8 meses,
normalização clínica, analítica e imagiológica.
Discussão
Além de rara,
a tuberculose hepática é uma entidade habitualmente associada a doença miliar, estando
o diagnóstico dificultado nos quadros em que surge isoladamente, como este caso
reporta. Deste modo, o MF como centralizador de cuidados e uma comunicação
eficaz com os cuidados de saúde secundários, foram determinantes para a correcta
avaliação e orientação desta utente.
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