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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

“DOUTORA, DE TANTO BATER O MEU CORAÇÃO AINDA PÁRA!”


Isabel Teixeira
UCSP Ílhavo II

As extrassístoles ventriculares são arritmias comuns que apresentam diferentes manifestações clínicas e prognóstico, encontrando-se directamente relacionadas com o grau de doença miocárdica de base. Porém, podem ocorrer em pessoas sem patologia cardíaca ou apresentar-se num contexto familiar. A incidência de extrassístoles em indivíduos assintomáticos em exames de Holter varia de 32 a 80% - devido à grande heterogeneidade dos sintomas e das situações clínicas relacionadas, a orientação destas arritmias pode revelar-se, por vezes, um problema complexo.
Jovem de 21 anos, sexo feminino, sem antecedentes cardiovasculares, recorre ao Médico de Família (MF) apresentando queixas de tonturas, palpitações ocasionais, mal-estar e cansaço para pequenos esforços. Realizados exames complementares (ECG, Prova de Esforço, Holter e Ecocardiograma) que evidenciaram extrassistolia ventricular em bigeminismo muito frequente, com ausência da disrritmia ventricular em esforço e de alterações morfológicas. Subsequentemente avaliada em consulta de Telemedicina foi referenciada para a Consulta de Cardiologia do CHBV - Aveiro. Nesta, concluiu-se que, apesar das alterações descritas, as extrassístoles apresentavam carácter monofocal e benigno, sem indicação para medicação ou estudo electrofisológico, tendo retomado a sua actividade laboral. Posteriormente, em consulta com o MF, a utente demonstrava um estado de grande ansiedade, que associava ao receio de novos episódios de taquicardia, tendo sido medicada com benzodiazepina (em crise). Acompanhada, desde então, em consulta de Cardiologia, tendo-lhe sido prescrito bisoprolol, com melhoria sintomática significativa.
O presente caso clínico pretende demonstrar a importância da consulta de Telemedicina nos Cuidados de Saúde Primários, constituindo uma ligação rápida e eficaz entre estes e o Hospital de referência, possibilitando a orientação, em tempo útil, dos doentes com patologia cardíaca, bem como o papel fundamental do Médico de Família na avaliação global do seu doente, mesmo perante um quadro clínico aparentemente sem gravidade.

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