Autora: Inês Silva
Introdução: As extrassístoles consistem em impulsos ectópicos que ocorrem antes da onda de despolarização do nódulo sinusal normal. São muito frequentes mesmo na população saudável, muitas vezes um achado em exames de rotina em Cuidados de Saúde Primários (CSP). São classificadas de acordo com o local de origem em supraventriculares (ESSV) e ventriculares (ESV).
Objectivo: Rever as recomendações actuais para a abordagem das extrassítoles em CSP.
Metodologia: Pesquisa bibliográfica em sites de medicina baseada na evidência, com o termo MESH “premature beat, cardiac”.
Resultados : As ESSV são quase sempre inocentes. Na sua abordagem, é fundamental tranquilizar o doente acerca da sua benignidade, aconselhando a evicção de factores desencadeantes como o álcool, o café ou o tabaco. Nos casos muito sintomáticos a terapêutica de primeira linha são os β-bloqueantes.
Já nas ESV é fundamental considerar três aspectos: a sintomatologia, a existência de cardiopatia estrutural e a frequência das ESV bem como a ocorrência de taquicardia ventricular documentada. Em casos muito sintomáticos, a terapêutica de primeira linha inclui os β-bloqueantes. Quando existe cardiopatia estrutural documentada, ESV muito frequentes (>1000/24 horas) ou com TV induzidas pelo exercício é importante prosseguir com estudo mais aprofundado, sendo necessária a referenciação para a Cardiologia.
Conclusão: As extrassístoles são muito prevalentes e muitas vezes abordadas em CSP, representando situações benignas que não necessitam de referenciação para cuidados de saúde secundários. Há, contudo, que saber distinguir e abordar estas situações benignas em relação àquelas que necessitam de estudo e acompanhamento mais diferenciado.
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